terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Aos leitores, certamente há alguns erros neste texto, pois o mesmo não passou por correção ortográfica.
Peço a compreensão dos possíveis leitores.


A propósito não há nenhuma pretensão nos textos postados no blog, são apenas momentos de devaneios de uma Mente Insana e perturbada.



Noite lânguida, de sombras espessas e amedrontadoras.
Uma alma sem rumo vaga pelas ruas desertas sob a chuva fina e gelada, mal molham os cílios, mas que no conjunto da obra, encharcam aquele corpo solitário e misterioso.
A esquina se aproxima, quando um estampido agudo ecoa sobre a penumbra, passos e gritos de desespero
Saltam a noite por toda parte.
Por um breve momento, não mais que 10 segundos, nosso misterioso personagem noturno torna-se imóvel, medo? Improvável, seu coração não se comove a estas fraquezas humanas.
É mais um momento de estudo da situação, friamente analisada em todas as probabilidades possíveis diante do fato ocorrido.
Quando nosso misterioso personagem é surpreendido como um vulto se deslocando em sua direção em desabalada fuga, quando seus olhos astutos observam algo não mão do desesperado fugitivo.
Sim, um revolver 38, cano curto, coronha com fino acabamento, não era uma arma que qualquer pessoa pudesse adquirir, ou era roubada ou seu detentor, um rapaz bem trajado, traços faciais finos, diferente dos moradores de rua que habitualmente se encontra ou os menores que jovens, mas já trazem em seus rostos juvenis marcas do sofrimento que lhes são íntimos desde a tenra idade.
Não, este jovem não se enquadra na categoria daqueles sobreviventes do sistema injusto da sociedade, pensou nosso personagem.
O rapaz esbaforido choca-se com aquela figura assustadora e desesperado foge deixando para trás a arma que empunhava a momentos passados, a figura daquele homem vira-se e olha o ser que aos poucos some na noite entre a leve névoa que cobre a noite com seu manto incógnito, mas aquele rosto jamais será esquecido por nosso personagem misterioso, que volta sua atenção à arma que agora repousa a sua frente, mesmo para um homem vivido, com alguns fios de cabelos grisalhos a cobrir a cabeça, há certos momentos de indecisão ou até mesmo resignação que pode mudar o caminho de uma vida para sempre.
Então a arma é deixada onde repousa, é o certo e o mais prudente deduz a figura masculina, que agora
Desloca-se a esquina de onde o rapaz saiu, e ao chegar depara-se com outro jovem, este de fisionomia mais rústica, não tão bem vestido como o fugitivo, seus olhos espelhavam um ar de certeza do que estava por vir, e em breves momentos de dor, a certeza se transformava em desespero, o sangue escorre por seus lábios encontrando o chão molhado pela chuva que agora se precipita mais intensamente, como se quisesse lavar as vidas ali presentes.

Então entre soluços e palavras mal pronunciadas o jovem pede por sua genitora em uma frenética disritmia.
_ mãe, minha mãezinha, cadê você?
_ mãeeeeeeeeeeeeeeeee!
E em golfadas o sangue brota-lhe a boca, diante daquela figura inerte a sua frente, nosso personagem anônimo sente-se comovido com o sofrimento daquele menino, que aparentava um pouco mais do que seus dezenove anos, tão jovem e já subtraído da vida de forma tão brusca e violenta.
Sim, embora consciente e com algum sopro de vida ainda presente, aquele homem com seu olhar crítico e sem expressar sabia que não tardaria muito aquela jovem vida cessaria, pois seu ferimento era grave e não havia como ajudá-lo, então nosso personagem constata o inevitável.
A face do rapaz pálida e gélida toca o chão, tombando para o seu lado esquerdo, olhos entre abertos, o sangue ainda lhe foge por um corredor fino e constante até se encontrar com a enxurrada que passa sob as pernas do rapaz ali caído já sem vida.
Então aquele homem de expressão forte e olhos contundentes, fita aquela jovem figura, espalhada ali no chão molhado como um indigente, e pensa, poderia ser meu filho, se esta vida tivesse me dado o direito à paternidade.
Há muito tempo que algo não lhe toca o coração como a cena que acabou de presenciar, repentinamente sua reflexão é quebrada pelo som das sirenes que se aproxima em um ato furtivo ele se afasta ligeiramente do local, ele aprendeu durante sua vida que há situações que não podem sem explicadas por mais que se tente.
Em um lugar seguro e mantendo certa distância observa tudo serenamente, os policiais em busca de alguma evidência, quando algum tempo depois uma figura feminina aparentando uns 50 anos aproximadamente e acompanhada de outra mais jovem se desesperam diante da cena oferecida a elas em uma madrugada, que certamente será inesquecível para ambas.
E aquele homem de olhar frio e sistemático por um instante imagina o que se passa no coração daquela mulher aos prantos diante do corpo do filho que retornava do trabalho.
Outro em seu lugar ficaria impressionado com certeza por um longo período, no entanto nosso personagem já presenciou coisas terríveis e variadas ao longo se sua vida, e chega à conclusão que não lhe resta mais nada a fazer, então se vira lamentando interiormente o ocorrido e desaparece sob a chuva que ainda cai na madrugada fria em alguma esquina da Av. Pedro Taques com outra rua qualquer em um dos bairros de Maringá numa madrugada de julho.

Anelka Julian Beginski

Violência Cotidiana

Nossa juventude sem rumo
perdida em droga e fumo
uma bala perdida
leva mais uma vida
mais uma menina prostituída
outro adolescente se torna homicida
de menor não vai preso
na sociedade se torna um peso
de preferência um peso morto
no beco encontrado outro corpo
era o menor assassino
mais um que errou o caminho
e na noticia da televisão
duas mães perdem o coração
uma pela filha vítima do pequeno infrator
outra pelo filho bandido mensageiro do terror
encarcerado banido
deste mundo como corretivo
na prisão violência do seu corpo e de sua alma
e ainda pedem calma
isto não vai doer, certo
mas têm que ficar esperto
esse já não tem jeito
será sempre suspeito
tanta violência
não pode acabar em rima
é apenas triste...

Tédio Terminal

Um mundo de oportunidades
passa pela minha janela
entre aberta, desta vida cotidiana
e enfadonha
o sol se nega a me acompanhar
neste martírio interminável de minha existência
pobre e podre
a lua toma seu lugar,
em incontáveis voltas sem volta do relógio
neste tédio terminal
apenas fecho os olhos e adormeço
esperando o próximo amanhecer
sem esperanças de ser diferente de hoje.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Visão

A vida passa diante dos olhos
fugindo pelas mãos
o mundo parece mais triste
do que de costume
o momento seguinte é sempre mais doloroso;
um segundo,
deslocamento de tempo eterno
no frio intenso da primavera
de flores cinzas espalhadas pelo chão,
na simples nomenclatura exata de retas paralelas
que se encontram no coração.

Indiferença

A fome que dói na alma
do menino abandonado
em desespero no beco escuro da cidade
não toca o deputado
nem aos homens do Senado
que em seus cargos de Vossa Excelência
pronome de tratamento em corredores luxuosos,
do Planalto Central.
Não enxergam o resultado
de um Brasil dilacerado pela inconseqüência
de uns poucos privilegiados
que conseguiram vossas indulgências
enquanto o menino, o pobre o mendigo
estão condenados ao esquecimento
pelos cantos deste gigante adormecido Brasil,
que parece não querer despertar deste sono profundo
de indiferenças.

Desorientação

Você me procura em vão,
desmedidamente como se eu fosse a solução
das suas angústias;
mas não sabe onde me encontrar,
não entende que sempre fui você
do começo ao fim.
Hoje perdida por vielas e sempre na contramão.
Perdeu o caminho, sem sentido
vaga desorientada,
por nao saber qual a saída deste laberinto
de caminhos perdidos em sua vida
pobre de carinho.
Não pode voltar,
nem prosseguir
Vejo o seu desespero do outro lado da cortina
sem achar a solução que possa lhe confortar
só me resta apagar a luz e chorar.